Cisto pilonidal: saiba quais são as causas, sintomas e tratamentos

10/10/2020

Se você não sabe o que é o cisto pilonidal, está no lugar certo. Leia até o final e saiba sobre os fatores de risco, sintomas e possibilidades de tratamento para essa doença que atrapalha tanto a vida das pessoas.

 

O cisto pilonidal, também chamado de cisto sacro coccígeo ou simplesmente de cisto no cóccix, é um problema crônico em que se forma um nódulo ou cisto inflamado envolvido por um tipo de “membrana”, que tem como conteúdo interno pêlos, fragmentos de pele e glândulas sebáceas e também sudoríparas.

 

Esse conteúdo, que fica dentro do cisto, provoca uma inflamação local, que pode infeccionar, formando abscessos, tecido morto (necrose) e espaços com túneis debaixo da pele com orifícios que eliminam pús na pele na região sacral entre os glúteos.

 

Em geral, o cisto pilonidal ou abscesso pilonidal aparece na parte superior da prega que divide as nádegas, logo acima do ânus, na região sacral e do cóccix, no final da coluna vertebral.

 

Os casos de cisto pilonidal são mais comuns entre jovens de 15 a 30 anos. Isso porque, normalmente, nessa idade os folículos pilosos são mais amplos e produzem mais sebo. Embora não seja incomum observarmos pacientes em idade acima de 35 ou 40 anos. 

 

Os homens respondem por 80% dos diagnósticos. Pessoas que permanecem muito tempo sentadas, grandes obesos, quem tem a prega as nádegas mais profunda e quem tem excesso de pelos na região do cóccix têm mais chances de ter cisto pilonidal.

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O que causa o cisto pilonidal?

A causa do cisto pilonidal pode gerar dúvidas e controvérsias. Inicialmente, acreditava-se que a doença era congênita, ou seja, o paciente já nascia com essa pré-disposição.

Hoje em dia, entende-se que é uma doença adquirida ao longo da vida, considerando a influência dos hormônios sexuais nas glândulas sebáceas e o atrito crônico da pele na região afetada.

O que acontece é que esses hormônios colaboram com a distensão dos folículos e o aumento da produção de queratina (proteína presente, por exemplo, nos cabelos e pêlos). Ao mesmo tempo, a região pode passar por um trauma e esse trauma causar inflamações repetidas dos folículos pilosos, tipo uma foliculite, que pode infeccionar. Essa inflamação crônica gera um processo de cicatrização contínua que acaba cobrindo com uma camada de pele a região inflamada, isso cria aos poucos um ambiente fechado com acúmulo de restos de pele, pêlos, sebo e bactérias – local perfeito para fazer um abscesso (“bola de pus”), figura 1.

Figura 1: cisto pilonidal com secreção de pus e pelos dentro.

A infecção crônica se cria um ambiente propício para a proliferação bacteriana de um germe que habita normalmente nossa pele: o Staphylococcus aureus. Assim acontece a formação do abscesso pilonidal, que causa bastante dor e desconforto nos pacientes.

Alguns autores associam ainda a formação do cisto pilonidal com a formação dos pêlos encravados, onde os fios não conseguem atravessar as camadas superficiais da pele e se curvam e penetram novamente no folículo piloso onde continuam crescendo e causando uma inflamação local.

 

Sintomas do cisto pilonidal

O cisto pilonidal pode permanecer assintomático por bastante tempo, quando não inflamado.

Agora, quando ocorre a inflamação, o nódulo aumenta de tamanho e tende a ficar bem vermelho, quente e doloroso, gerando desconforto, principalmente quando sofre alguma pressão como quando o paciente usa roupas apertadas ou no simples ato de sentar-se por muito tempo.

Sem o tratamento correto, a dor não vai parar. Na verdade, é necessário cessar o processo de inflamação e tratar a inflamação, sem isso a patologia só irá progredir. O ideal é procurar um médico especialista coloproctologista para fazer uma consulta.

Em seguida, vamos falar um pouco mais a fundo sobre as alternativas gerais de tratamento. Lembrando que cada caso é um caso!

Opções de tratamento para o cisto pilonidal

Sobre o melhor tratamento do cisto pilonidal, a situação deve ser avaliada individualmente.

Para casos mais agudos, por exemplo, em que o paciente sente muita dor e mal consegue se sentar, o processo de drenagem da secreção acumulada é o primeiro passo indicado para promover um alívio inicial.

Pode-se dizer as manifestações acontecem de forma aguda – decorrente da inflamação de um abscesso – e de forma crônica, ou seja, o paciente convive com o cisto e a frequente drenagem de pus pelos furinhos na pela da região entre os glúteos.

Drenagem do cisto pilonidal

A drenagem do cisto pilonidal com pus, quando não ocorre de forma espontânea, precisa ser induzida com a ajuda de procedimento médico para aliviar a dor do local.

Nos casos espontâneos, há a saída súbita de pus por orifício na pele da região do sacro.

Para a drenagem induzida pelo cirurgião, é feita uma pequena incisão da pele, utilizando anestesia local, de forma rápida.

Isso pode ser feito no consultório ou hospital, e a recuperação completa se dá em poucos dias.

Porém, vale reforçar que essa solução é temporária!

Depois da drenagem induzida, esse paciente pode passar a ter o cisto pilonidal com a saída crônica de secreção na roupa íntima.

Agora, como é possível curar completamente o cisto pilonidal?

O tratamento definitivo é feito com cirurgia e a remoção da membrana que reveste o cisto, além dos pêlos e restos de pele que encontram-se dentro do cisto na região sacral.

Cirurgia com fechamento da ferida

 

A cirurgia de remoção do cisto pilonidal com fechamento da ferida consiste em abrir a pele, retirar o cisto, raspar a região com tecido exposto a infecção crônica pelo cisto e fazer um fechamento da ferida utilizando a pele ao redor da região sacral, para conseguir fazer a sutura e fechamento da área da ferida, isso é feito por meio de retalho de avanço da pele e tecido subcutâneo.

O paciente recebe raquianestesia e o procedimento é bem rápido, em 40 minutos a 1 hora está feito.

Em alguns casos é utilizado curativo a vácuo para acelerar a cicatrização e facilitar os cuidados em casa para não precisar ficar trocando de curativo todos os dias.

O mais importante é seguir as indicações médicas à risca, mantendo os cuidados constantes com curativo para evitar infecções do local.

Esse processo de cicatrização ocorre entre 4 a 6 semanas, mais ou menos. Nesse caso, a chance do cisto pilonidal voltar é menor que 5%, o que faz dessa técnica um método muito eficaz.

Outra técnica que vem ganhando espaço é a tratamento endoscópico minimamente invasivo do cisto pilonidal também EPSiT.

VAAFT – TRATAMENTO ENDOSCÓPICO DO CISTO PILONIDAL

Essa técnica consiste na aplicação do VAAFT que é um instrumento ótico fino conectado a uma microcâmera, esta possibilita iluminar e visualizar o cisto internamente.

Por dentro do aparelho é possível ainda passar instrumentos cirúrgicos como o eletrocautério, pinças e escovas, figura 2. Assim, é possível realizar a limpeza de todo o conteúdo do cisto (pus, pêlos e fragmentos de tecidos) e por fim a cauterização de suas paredes para que, desta forma, não seja necessário a abertura da pele.

Figura 2: Aparelho e acessórios da técnica com material VAAF.

A técnica apresenta vantagens como uma recuperação mais rápida, menos dor pós operatória, cicatrização mais rápida e um retorno precoce as atividades laborais. Os resultados cirúrgicos são promissores, estudos recentes demonstram cicatrização completa e taxa de recorrência baixa.

Como qualquer tratamento médico, as possibilidades e técnicas cirúrgicas devem ser discutidas e avaliadas individualmente. Por isso, converse sempre com o seu médico.

Mas, afinal: cisto pilonidal é perigoso? Cisto pilonidal pode se tornar um câncer?

Essa é uma doença comum na população e, embora seja um pouco desconfortável, inclusive em termos de tratamento, não é frequente que traga complicações graves para a saúde.

Mas, atenção: não tratar ou ignorar o cisto pilonidal, cisto sacro coccígeo ou simplesmente do cisto no cóccix, quando existe a recomendação médica para isso pode fazer com que resulte em um câncer de pele, do tipo carcinoma.

Não é comum que isso aconteça, mas é importante pontuar que, mesmo rara, a possibilidade existe e vale a pena fazer uma consulta com coloproctologista para examinar e acompanhar o seu cisto pilonidal mesmo que ele não esteja inflamado.

DEPILAÇÃO. O paciente com doença pilonidal deve manter a região acometida sem pêlos, mesmo que não tenha sintomas ou que já tenha operado. A presença dos pêlos no local, aumenta a chance de novos cistos! A retirada dos pêlos raspando com lâmina deve ser evitada pela chance de machucar a pele e facilitar a entrada de pelos na ferida, tenha preferência por depilação a laser

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Referências bibliográficas:

 

  • Da Silva JH. Pilonidal cyst: cause and treatment. Dis Colon Rectum. 2000 Aug;43(8):1146-56. DOI: 10.1007/BF02236564
  • Meinero P, La Torre M, Lisi G, Stazi A, Carbone A, Regusci L, Fasolini F. Endoscopic pilonidal sinus treatment (EPSiT) in recurrent pilonidal disease: a prospective international multicenter study. Int J Colorectal Dis. 2019 Apr;34(4):741-746. DOI: 10.1007/s00384-019-03256-8
  • Bessa SS. Comparison of short-term results between the modified Karydakis flap and the modified Limberg flap in the management of pilonidal sinus disease: a randomized controlled study. Dis Colon Rectum. 2013 Apr;56(4):491-8. DOI: 10.1097/DCR.0b013e31828006f7

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